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A Tradução Audiovisual, o Mercado e a Valorização dos Profissionais de Idiomas

Recentemente, participei de dois cursos bem legais:

Além disso, em novembro de 2017, matriculei-me na pós-graduação em Tradução Audiovisual de Inglês, modalidade EAD, oferecida pela Universidade Estácio de Sá.

Tenho recebido cada vez mais pedidos de tradução para legendagem. Certa vez, contei com o apoio da colega Fernanda Brandão-Galea para atender um cliente dos EUA e, mais recentemente, a colaboração foi com o colega Luiz Fernando Alves, para atender uma ONG brasileira.

Quem me conhece, sabe que o meu foco é técnico, traduzindo, principalmente, textos jurídicos e sobre desenvolvimento sustentável. Na minha experiência, esse tipo de especialização tem incluído 90% de material escrito e 10% de material audiovisual. Mas o mercado está mudando.

As pessoas já não leem mais como antigamente. O tempo é curto e as timelines têm vida curta nas redes sociais. É preciso prender a atenção do leitor, e isso é feito através de recursos audiovisuais.

De acordo com Jeff Bullas, publicações com imagens recebem 94% mais visualizações do que aquelas sem. A plataforma Buffer diz que os tweets com imagens recebem 18% mais cliques do que aqueles sem, e uma pesquisa da Wishpond mostra que as postagens com foto no Facebook têm aumento de 120% de participação comparadas a outros tipos de postagens. Esse impacto também é notado nas postagens que contêm vídeos.

Note que não estou falando de filmes, Netflix, entretenimento. Estou falando de conteúdo corporativo ou de ONGs. Peço que você, leitor, preste bastante atenção nisso, pois se engana quem pensa que a legendagem só serve para trabalhar com filmes.

Eu entendo a fascinação das pessoas pelo setor do entretenimento, mas se você é tradutor ou legendador, já deve saber que, para sobreviver no mercado e expandir sua base de clientes é preciso se especializar e oferecer um portfólio diversificado de serviços.

Na minha palestra no PROFT 2017, falei justamente sobre o erro que muitos profissionais cometem ao olharem sempre para as mesmas áreas, ou seja, tradução de textos jurídicos, financeiros, médico-farmacêuticos e de T.I. e legendagem de filmes, e esquecerem de que há uma infinidade de outros tipos de conteúdo e especializações precisando de tradutores profissionais, qualificados e especializados.

O mercado da tradução audiovisual, por exemplo, não é só legendagem e nem só entretenimento. Ele inclui dublagem, voice-over, legenda fechada (closed caption), teletexto e audiodescrição pra diversos setores da economia.

Nos cursos que fiz, os instrutores falaram muito sobre o aluno só querer saber de Netflix, Globosat, etc. e esquecer-se do mercado técnico, corporativo ou educacional. Esse último, por exemplo, cresce incessantemente por causa de cursos EAD e MOOCs.

O campo comumente chamado de tradução audiovisual ou tradução de multimídia inclui todos os modos de tradução que lidam com sons e imagens, como filmes, documentários, programas de TV, propagandas, videogames, vídeos institucionais e educativos, software interativo, tradução para teatro, entre outros.

Embora o script de um produto audiovisual se assemelhe a um texto escrito comum, alguns elementos cruciais não são facilmente entendidos a partir de uma mera folha de papel, como tom de voz, entonação, expressão facial, etc. Dito isso, é muito provável que o tradutor audiovisual faça um trabalho melhor se tiver acesso aos materiais de áudio e vídeo, aos quais o texto escrito deve ser integrado. Scripts, transcrições e listas de diálogo são materiais de apoio extremamente importantes, mas não devem ser utilizados como única fonte para a tradução.

Fonte: Tradwiki

No entanto, não se aventure em outras técnicas e especializações sem antes estudar.

Estude, sim! Faça cursos, aprenda as técnicas e tecnologias com quem já tem experiência e é consagrado e reconhecido no mercado. Treine, treine mais um pouco, leia sobre suas áreas de especialização e participe de congressos, oficinas e webinares.

Infelizmente, há muitos artigos de jornais e revistas colocando a tradução, a legendagem e o ensino de idiomas como formas fáceis de ganhar uma graninha extra. Isso é péssimo por dois motivos:

  1. Esse tipo de informação chega até os clientes, que acabam achando que a tradução não agrega valor e que será um serviço baratinho. Os preços de tradução variam muito – às vezes, numa proporção de dez para um. Pagar mais caro não garante que o cliente vá receber a melhor tradução. Porém, abaixo de certo preço, dificilmente o resultado será condizente com a empresa e os produtos que ela oferece. Se os tradutores estiverem ganhando uma ninharia, é pouco provável que deem ao texto a atenção que ele merece (veja aqui um guia muito bacana, em português, da Associação Americana de Tradutores, para educar os clientes sobre como escolher e contratar um tradutor).
  2. A tradução é uma habilidade especial que os tradutores profissionais trabalham duro e estudam muito para desenvolver. A fluência do tradutor vai muito além dos níveis avançado ou fluente em um idioma. Ela inclui a compreensão de contextos culturais e sociológicos dos povos que falam o idioma, formação ou especialização em áreas técnicas, educação continuada, etc. A importância da boa tradução ou interpretação é mais evidente quando as coisas dão errado.

Um exemplo clássico dessa falta de informação, especificamente na área de legendagem, foi a reprovação massiva de candidatos que tentaram se cadastrar na Netflix para fazer tradução e legendagem.

Pipocou artigo por todo lado, no mundo inteiro, espalhando a notícia de que a Netflix tinha vagas para freelancers, pagava bem e que as pessoas poderiam trabalhar de casa enquanto “se divertiam”. Resultado? Um ploft homérico, inclusive de tradutores experientes, mas que jamais tinham feito um curso de legendagem ou trabalhado profissionalmente com isso.

Portanto, saiba que só os profissionais sérios e bem treinados sobreviverão à polarização e expansão do mercado, e que faz parte, sim, do trabalho, educar o cliente e só aceitar trabalhar com técnicas e conteúdos que você realmente domine!

Se você, tradutor, não valorizar a nossa formação e profissão, quem o fará?

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