Guest Series - The Translation Profession

Profissão Tradutor – Maria Thereza Stetner

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Julho de 2000.  De repente, me tornei uma Tradutora Juramentada de inglês para o português, após ter me aposentado pela Cultura Inglesa e do meu cargo de professora da rede estadual.

Que desafio! Que audácia abandonar toda a minha vida profissional anterior para me dedicar somente a traduções.

É verdade que eu tinha uma base sólida de ambas as línguas, herdada de um ótimo curso universitário de línguas anglo-germânicas (quando optei por inglês e português) e das enormes oportunidades que me foram oferecidas para aprendizagem e reciclagem ao longo da minha carreira na Cultura Inglesa, onde trabalhei desde o 4º ano da faculdade. Ali, lecionei e acumulei também a função de Supervisora de Recursos Técnicos, na época Laboratório de Línguas e Introdução de Técnicas usando videocassete.

Paralelamente, trabalhava na CENP (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas) da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Organizei treinamentos, palestras e debates, visando uma melhor atuação dos professores públicos de inglês. Além disso, fui coautora das Propostas Curriculares para as escolas públicas e era bastante solicitada para traduções e interpretações.

Mas, não havia saída. Ou me dedicava de corpo e alma à nova profissão ou não assumia a responsabilidade que ela acarretava.

A partir do momento em que soube ter sido aprovada eu respirei, comi e bebi somente técnicas de tradução.

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Parece fácil? Não foi. Era um mundo totalmente novo e muito intrincado.

O primeiro grande passo era literalmente começar a estudar, aprender e assimilar tudo o que fosse pertinente a essa nova área. Fiz, comparei e refiz contratos, procurações e demais assuntos jurídicos até a exaustão. A outra parte inerente à tradução juramentada, a referente a documentos de imigração e educacionais, eu achava que dominaria sem grandes problemas. Ledo engano. São documentos muito detalhados e exigem muita concentração e revisão.

Entretanto, sentia que faltava alguma coisa para me sentir totalmente confiante. Fiz um curso de seis meses de Tradução Jurídica na ALUMNI e muitos cursos menores, patrocinados principalmente pela Associação de Tradutores e Intérpretes Comerciais do Estado de São Paulo (ATIPIESP). Ajudaram bastante.

Já no início, minha atuação foi definida pelos próprios clientes. Eu era bem conhecida na área educacional e tinha bastante contato com advogados. Vários escritórios de advocacia me procuraram assim que fui credenciada e logo estavam me solicitando para tradução/ versão. Foi assim que meu nicho apareceu. Fiquei bem especializada em versão jurídica. É claro que também havia traduções/versões da área médica e educacional e artigos dos mais variados assuntos, mas em menor número.

O lado adverso foi que praticamente abandonei a interpretação. Na realidade, nunca me interessei pela tradução simultânea. Decidi me empenhar só na consecutiva, uma vez que eu já era solicitada para videoconferências nos escritórios que me prestigiavam com trabalho e também fiz interpretação em casamentos e perante juízes.

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Um fato importante, que logo aprendi e que precisamos salientar para nossos clientes, é que não somos especialistas em todas as áreas e não temos familiaridade com termos técnicos específicos. No entanto, nos comprometemos a fazer consultas e pesquisas.  A Internet ajuda bastante. Ter uma boa biblioteca técnica, englobando vários assuntos, também. Podemos, sim, desenvolver um bom trabalho.

E ainda havia a parte burocrática, que eu desconhecia totalmente.

Como me informar? Por sorte, alguns tradutores juramentados ofereciam cursinhos de algumas horas. Foi assim que consegui entender os meandros burocráticos da tradução juramentada: inclusão de detalhes mínimos, uso de carimbos, introdução e finalização personalizada de cada tipo de documento, e por aí, vai.

E atualmente?

Estou, aos poucos, caminhando para minha aposentadoria definitiva. Isso teria que acontecer algum dia e acho que chegou a hora. É difícil e terá que ser paulatina. Já não trabalho mais com escritórios. Ainda atendo a solicitações de clientes antigos e de pessoas indicadas. E estou cada vez mais inclinada para a tradução de artigos. Isso sempre foi a minha “distração” no meio de tantos documentos técnicos.

Será que cumpri bem a minha função? Acredito que sim. Sempre me empenhei para isso.

Um conselho para os novos tradutores? Otimismo, determinação, dedicação e paciência.

mariatherstetner

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